Opinião: Bolsonaro é eleito novo presidente do Brasil.

Jair Bolsonaro é eleito.

Às 19h da noite do dia 28 de Outubro de 2018, o Brasil elegia seu 38° presidente da República. Após uma disputa que polarizou os debates políticos, dividiu o Brasil e se pautou sobre temáticas como ditadura comunista, ditadura militar e afins, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, levou 57 milhões de eleitores às urnas a fim de teclar seu número e elegê-lo. O candidato derrotado, Fernando Haddad, estacionou na casa dos 47 milhões. O percentual de votos nulos é maior desde 1989, segundo o G1.

Bolsonaro fez uma live, minutos depois do anúncio oficial de sua eleição.

O discurso do candidato vencedor se iniciou com uma oração. Promessas vieram logo depois, ressaltando o compromisso de unificar o Brasil e restaurar valores. O candidato derrotado também teve seu discurso. A fala aqui era a respeito de resistência, de se segurar as mãos uns dos outros e resistir ao que estava por vir, juntos. Diversas cidades do país comemoravam na noite de eleição, soltando foguetes e fazendo festa. Outra parcela dos brasileiros, foram para as redes sociais começar uma oposição que promete ser ferrenha durante os próximos quatro anos.

Independente do lado em que você se encontra, acredito que precisamos conversar sobre alguns pontos.

Não sou simpatizante de Bolsonaro, nem da maioria de seus discursos. Discordo extremamente em diversos tópicos. No entanto, vivemos uma democracia e, como tal, é meu dever como cidadão respeitá-la. Portanto, minha intenção não é questionar o resultado das eleições, de forma alguma. Acredito na legitimidade da vitória de Jair.

Entretanto, apesar de não ser um simpatizante do presidente eleito, minha maior preocupação agora não é exatamente ele. É parte de seu eleitorado.

Bolsonaro foi criado, gerado e concebido, agora, com a eleição, a partir do medo do brasileiro. Medo dos rumos que o país tomaria. Medo da insegurança. Medo do desemprego. Ele foi gerado sob a expectativa de mudança. Do antipetismo. E eu entendo sim, quem o elegeu. É a luz no fim do túnel que algumas pessoas conseguiram enxergar. É a esperança de restauração de valores que, parte do povo, acredita ter perdido. É a visão de um salvador que seria o ponto de partida para a mudança e portanto, essas pessoas se sentiam atraídas pelo que Jair representava.

Mas acredito que uma parcela específica deste eleitorado, não são pessoas que querem mudança, apenas. São pessoas que se viram representadas por Bolsonaro por outras razões – o discurso que retaliava pessoas. Vejamos.

Antes da corrida presidencial, Jair Bolsonaro manteve uma série de discursos que erguia a voz de modo pejorativo e/ou agressivo a alguns grupos e movimentos sociais. Quando a campanha presidencial começou, ele diminuiu o tom desse discurso gradativamente e, ao ser questionado, em entrevistas, chegou a se desculpar por algumas de suas declarações. Relativizou e justificou outras. Mas sim, se desculpou por algumas.

Porém, Bolsonaro inflamou cidadãos que por partilharem da opinião de suas declarações, se sentiram representados e no direito de praticar determinados atos. Note, por exemplo, o grupo de torcedores de um determinado time de futebol que se reuniu em um metrô em SP para gritar “ôh bicharada, toma cuidado. O Bolsonaro vai matar viado!” [você pode assistir ao vídeo clicando aqui.]

Sabemos que Bolsonaro provavelmente não “vai matar viado”. Porém, ao dizer em diversas entrevistas que “filho gay é falta de porrada” ou que bateria se vir dois homens juntos, ele naturalmente legitima a prática de quem, na condição de cidadão,  pensa como ele e se sente no direito de declamar falas do gênero acima num metrô.

Este é um exemplo isolado para ilustrar o pensamento que proponho. A parcela extremista do presidente eleito que usa seu discurso inflamado para atitudes semelhantes a esta, é um risco. Um risco a quem se sente ameaçado, de alguma forma. São inúmeras as declarações de pessoas que ouviram, recentemente, alguma fala que envolvia os termos “cuidado” e “Bolsonaro” na mesma frase. Parte delas, ditas pelos próprios eleitores do presidente eleito.

Minha intenção aqui não é tentar doutrinar seu pensamento. É tentar propor a reflexão de que sim, existem pessoas que se sentem ameaçadas de alguma forma e que só é possível entendê-las quando usamos a empatia.

Eu não concordo também que a oposição agora deve torcer para um governo terrível a fim de ter o gosto de dizer “eu avisei”. O momento é de torcer para que a gestão seja no mínimo satisfatória para todos. É torcer para dizer “é, eu estava enganado (a)”.

O discurso da vitória falava de inclusão e unificação do país. Só se unifica tratando a todos de forma igualitária e propondo inclusões para tudo e todos. Que Bolsonaro faça um bom governo e consiga controlar inclusive a parte extremista de seu eleitorado, propondo um discurso menos agressivo e mais pacífico. Esperemos o melhor e torçamos juntos para que mesmo quem teme, esteja enganado sobre o futuro próximo de nossa nação.

Ninguém solta a mão de ninguém.

1 ideia sobre “Opinião: Bolsonaro é eleito novo presidente do Brasil.

  • Caro escritor Gabriel… belo editorial! Lúcido e coerente, vc retrata com sinceridade um temor válido quanto ao futuro. Mais importante: vc se manifesta! Alerto, entretanto, que palavras geram temor… mas a esquerda brasileira foi derrotada por ações já realizadas! Ficamos com medo do que vimos até aqui, e nossa única opção é arriscar numa alternativa futura – mesmo que incerta. São mais quatro anos para estudarmos as AÇÕES socialistas mundo afora… e testar a vontade popular no voto. Fique de olhos abertos e observe as ações…

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