Incêndio destrói Museu Nacional. As chamas queimam a nossa história.

 

Os noticiários, jornais e principais veículos midiáticos do Brasil e do mundo voltaram os olhos ao Rio de Janeiro, especificamente, a um dos museus situados na cidade. Um incêndio em grande escala resultou na destruição de um dos maiores acervos culturais existentes no Brasil, neste domingo, dia 02. O Museu Nacional no Rio de Janeiro, abrigava pouco mais de 20 milhões de peças relacionadas à história do Brasil, sua relação com Portugal, fósseis e obras culturais de grande valor histórico. O prédio foi a residência de  reis e imperadores, e completou 200 anos agora, poucos meses antes do ocorrido.

Ainda não se sabe a causa ou o que pode ter originado o incêndio, no entanto, a assessoria do museu, junto ao Corpo de Bombeiros, já afirmaram que não houveram feridos. Ferida de fato ficou parte de nossa história que pereceu em meio às chamas. A pesquisadora Regina Dantas, que trabalha no museu desde 1994, se emocionou ao conceder entrevista ao O Dia. Ela disse que dormiu, pensando que tratava-se de um pesadelo e que acordaria no dia seguinte. A história chora com Regina.

 

Regina Dantas, pesquisadora que trabalhava no Museu Nacional no RJ desde 1994.

Uma informação válida é saber que o museu, mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, se encontrava fragilizado em diversos pontos de seu prédio em função da falta de investimento. Segundo uma matéria realizada pela Globo, em maio deste ano, a universidade deveria repassar R$550 mil ao museu, no entanto, há aproximadamente três anos vem recebendo somente 60% deste valor. Talvez os recentes cortes do governo federal à educação tenham culminado também nos cortes repassados à universidade e consequentemente ao museu.

Fogo iniciou aproximadamente às 19h deste domingo, dia 02

Histórico de incêndio

Não é a primeira vez que um prédio mantido pela UFRJ é alvo de incêndio, nos últimos anos. Em 2011, o Palácio da Praia Vermelha também sofreu algo semelhante, seguido do Laboratório do Centro de Ciências da Saúde, em 2014. Em 2017, o alojamento estudantil da universidade e agora, em 2018, um dos maiores acervos culturais do país.

As chamas que consomem nossa história levantam alguns questionamentos. Particularmente, me pergunto o quanto a falta de investimentos em um dos maiores museus brasileiros pode ter influenciado no incêndio. O prédio, aparentemente, se encontrava interditado em alguns pontos justamente pela falta de reparo. Alguns dos artefatos, chegaram a ser retirados de exposição porque o suporte de madeira que os aparava estava infestado de cupins. Estamos falando do Museu Nacional!

 

 

Enquanto isto, artistas como Felipe Neto, por exemplo, captam exatos R$1.612.000,00 da Lei Rouanet para viabilizar o espetáculo Minha Vida Não Faz Sentido, o monólogo do youtuber. Simultaneamente, o Museu Nacional realizava uma vaquinha online para arrecadar fundos e viabilizar reformas mais urgentes no museu. A direção do acervo conseguiu captar pouco mais de R$50.000,00 de doações voluntárias. Há um contraste aqui.

Não me oponho à programas de incentivo à cultura. Pelo contrário. Sou favorável à ideia.

No entanto, também sou fiel à linha de que se temos leis que são capazes de fornecer milhões para um produtor de conteúdo online lançar seu projeto teatral, não seríamos capazes de realizar o investimento necessário para uma instituição como o Museu Nacional, sem que ele tivesse de recorrer, por exemplo, à vaquinha online para fazê-lo?

Nildo Laje escreveu que “a cultura de um povo é o seu maior patrimônio. Preservá-la é resgatar a história, perpetuar valores. É permitir que as novas gerações não vivam sob as trevas do anonimato.”

Todo país tem suas prioridades. Talvez seja preciso rever as nossas. O Brasil arde em chamas nas mais variadas esferas – política, social, econômica. A cultura está sendo mais uma delas.

 

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